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Arquivos janeiro 2022

NAO ANDEIS ANSIOSOS

Um dos grandes males dos dias atuais é a ansiedade. Um estudo de 2017 da Organização Mundial da Saúde, coloca o Brasil é o 11º país mais ansioso, com mais de 13,2 milhões de pessoas com algum transtorno de ansiedade. De acordo com o mesmo estudo, a ansiedade está relacionada a preocupações excessivas com o futuro e ao medo de perder o controle das situações. Mas, é possível viver sem ansiedade? Jesus disse: “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida” (Mt 6:25a). Esse ensinamento não é algo fácil de ser aplicado em nossas vidas.

Vivemos preocupados com nosso sustento, nossas necessidades, nossos projetos, nosso futuro. Contudo, a Bíblia nos mostra que aqueles que seguiram ao Senhor, deixando de lado seus interesses pessoais, tiveram suas necessidades supridas. Jesus, em seu ministério na terra, chamou para segui-lo homens sujeitos às mesmas ansiedades materiais. Pedro era pescador; Mateus, fiscal tributário; Lucas, médico; Zaqueu, um servidor público. Ou seja, eram pessoas normais que colocaram o Reino à frente de seus projetos individuais e sobreviveram mediante a bondade e providência divinas.

A Bíblia nos dá diversas razões para não sermos ansiosos, das quais destaco cinco motivos: 1. os tesouros que adquirimos na terra podem ser roubados ou deteriorados com facilidade – “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt 6:19); 2. os bens materiais podem tirar o foco do que realmente é importante – “porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6:21); 3. os bens materiais exigem dedicação de servo – “Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6:24b); 4. a preocupação com o que está por vir enfraquece a fé – “Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?” (Mt 6:30); 5. preocupar-se não prolonga a vida ou soluciona os problemas – “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?” (Mt. 6:27). Enfim, a ansiedade não gera nenhum benefício ao ser humano. Muito pelo contrário. Numa perspectiva cristã, esse sentimento é uma estratégia diabólica para fazer com que o indivíduo lute por coisas que não estão minimamente relacionadas com suas necessidades básicas.

O espírito, em comunhão com Deus, é quem determina a plenitude de vida. Confiar que o Senhor conhece nossas necessidades e está pronto para supri-las, segundo a Sua vontade, é a arma do cristão contra a ansiedade. É importante lembrar que existe uma grande diferença entre preocupar-se com algo que pode ser solucionado e que pressupõe uma atitude imediata e a inquietação diante de uma questão em que não há possibilidade de uma atitude prática.

Se você pode solucionar hoje um problema prestes a estourar, tome uma atitude e não deixe para resolver amanhã. Entretanto, se a você não compete agir, hoje não é o dia de se preocupar com o amanhã – “Portanto, não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6:34). Desvie-se do mal e faça o bem; e você terá sempre onde morar. (Sl 37:27)

SEMPRE É HORA DE ORAR

Medo é a sensação de Uma das características de Deus é a onisciência que, no dicionário, significa saber absoluto; conhecimento infinito sobre todas as coisas. Se Deus conhece todas as coisas, por que precisamos orar para que Ele conheça nossas necessidades, sonhos e projetos? Por que a oração é tão importante na vida cristã? A resposta é que Deus, apesar de saber tudo sobre mim e você, Ele espera que nós nos reportemos a Ele com sinceridade, humildade e fé. E mais: orar não é simplesmente uma profusão de palavras, num monólogo infindo.

Orar é dialogar com o Criador, pois por meio da prece o Senhor ouve e fala com amor. A oração nos dá oportunidade de nos relacionarmos com o Pai e nos torna mais íntimos e sensíveis à Sua voz. Existem diferentes tipos de preces: 1- Oração de louvor – em que nos dedicamos a engrandecer o nome do Senhor e todas as Suas maravilhas. Deveria ser nossa prece diária quando tudo vai bem; quando tudo não vai bem, quando tudo parece impossível; quando não conseguimos enxergar uma saída ou um sinal do céu.

É a prece que nos coloca em nossa condição de subserviência diante da magnitude dAquele que é digno de toda glória. “Senhor, quero dar-te graças de todo o coração e falar de todas as tuas maravilhas” (Sl 9:1); 2- Oração de confissão – em que abrimos nosso coração diante do único que é capaz de nos oferecer perdão e conforto. A confissão nos faz admitir nossa condição pecaminosa com perspectiva de livramento. “Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado” (Sl 51:1-2); 3- Oração de súplica – aquela em que apresentamos nossa família, projetos, sonhos e todas as questões relevantes para nossas vidas e clamamos ao Senhor por soluções, proteção e bênçãos.

A súplica precisa ser feita com honestidade e persistência, mas não com impaciência, e deve sempre estar condicionada à vontade de Deus para nossas vidas. Ele e somente Ele tem a visão do todo e sabe exatamente o que é melhor e mais adequado para cada um de Seus filhos. “Ouve as minhas súplicas quando clamo a ti por socorro, quando ergo as mãos para o teu Lugar Santíssimo” (Sl 28:2); 4- Oração de intercessão – quando você apresenta a Deus outra pessoa e intercede por algum problema insolúvel, vitórias futuras, enfermidade; pastores e missionários de sua igreja ou pelo mundo; ministérios assistenciais. É a oração em que o foco não é o intercessor. “Enquanto vocês nos ajudam com as suas orações. Assim muitos darão graças por nossa causa, pelo favor a nós concedido em resposta às orações de muitos” (2 Co 1:11); 5- Oração de ação de graças – é uma prece de gratidão por tudo o que Ele tem feito por você, pelos outros, em todas as circunstâncias da vida.

É o momento de demonstrar o reconhecimento pela condição de filho amado que está sob os cuidados constantes do Pai amoroso. “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1 Ts 5:18). Apesar de todas essas definições, não existe um jeito certo ou errado de falar com Deus. Pelo contrário: o importante é a decisão de nos apresentarmos diante do Senhor, com todas as nossas imperfeições, rasgarmos nosso coração e dedicarmos um tempo diário para conversar com aquele nos ama incondicionalmente e está sempre pronto a nos ouvir, amar, ensinar e abençoar. Ore. Do seu jeito, com as suas palavras, com verdade e sem medo. Ore e Ele te ouvirá!

NO TEMPO DE DEUS. ESPERE E APRENDA

Orar é um ato de fé. Quando eu apresento os meus pedidos em oração, estou entregando a Deus meus anseios, necessidades, sonhos e projetos. É certo que, como seres humanos, criamos expectativas e esperamos uma pronta resposta divina. No entanto, não podemos nos esquecer que o tempo do Senhor é diferente do nosso, assim como os nossos desejos, muitas vezes, podem ser diferentes daquilo que Ele tem reservado para nós. É como a clássica analogia de que nós, homens e mulheres, vemos frações de nossa existência; enquanto ele, o Criador, vê o todo – desde nossa formação no ventre de nossas mães até nosso último suspiro (Salmo 139).

Se o Senhor sabe o que está por vir, por que algumas vezes demora tanto a nos responder? Porque esse tempo de espera pode ser ainda mais especial e determinante na nossa caminhada cristã que a resposta propriamente dita. Aguardar a resposta do Senhor implica em perseverar na oração, buscando incessantemente sua presença e intimidade. Muitas vezes basta uma única prece, outras vezes não! É preciso insistir, persistir e resistir à incredulidade e desânimo. Deus nos quer por perto e essa proximidade trará paz aos nossos corações, por isso, meditar na Palavra e orar são os melhores antídotos para a ansiedade e a incerteza.

Não podemos exigir que o Senhor diga o que queremos ouvir no momento em que julgamos mais adequado. Deus é Deus. E enquanto esperamos, temos a oportunidade de aprender que Deus ensina também no silêncio e que Sua presença em nossas vidas é melhor que qualquer outra coisa. Podemos aprender, ainda, a exercitar a nossa fé no que não vemos e não podemos tocar. Esperar por Deus é aceitar a nossa humanidade e pequenez diante do Senhor dos Senhores.

Esperar uma resposta de oração também é uma oportunidade para testemunharmos sobre o que Deus fez, faz e fará em nossas vidas. À medida que oramos em favor de uma causa e acreditamos que a resposta virá, podemos levar outras pessoas a partilharem conosco da intercessão e gerar expectativas sobre a providência divina. A verdade é que a resposta deixa de ser o foco e passa a ser um instrumento de testemunho, entrega, humildade e resiliência.

Enfim, Deus não é apenas um respondedor de perguntas ou provedor de respostas. Para isso temos o Google e bastam alguns cliques para chegarmos a uma definição objetiva sobre a maioria dos temas. No entanto, não existe na rede mundial de computadores a resposta ao nosso clamor. Apenas Ele, em toda a Sua onisciência, pode nos oferecer o que procuramos e somente Ele, em toda a Sua misericórdia e amor, sabe o que é melhor para cada um de nós em nossas peculiaridades e singularidades.

Um sim ou um não generalizados seriam nossa maior perdição. Lembro-me da cena do filme Todo-Poderoso em que o personagem de Jim Carrey atua temporariamente como “substituto” de Deus e diz “sim” para todas as orações. O resultado é o caos generalizado. Ali, de uma forma cômica, é possível perceber que as respostas de Deus impactam em nossas vidas de forma extraordinária e que nossa maior punição seria receber “sim” a tudo o que pedimos.

Ore, apresente suas petições, acredite na providência divina, espere com paciência e fé, aproxime-se do Senhor e, certamente e no devido tempo, a resposta virá, pois, “o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (Provérbios 16:1).

SÓ EU SEI O QUE EU PASSEI

Ele tinha tudo – família, amigos, bens –, era admirado em sua comunidade pela conduta reta e digna. Tudo ia bem até que sua vida começou a ruir. Todos os seus filhos faleceram no mesmo dia e todos os seus pertences lhe foram tirados. Seu corpo encheu-se de feridas e seu cheiro tornou-se insuportável. Aqueles que costumavam olhá-lo com respeito, zombavam de sua situação deplorável.

Esse pode parecer um relato criado pela imaginação fértil de algum autor interessado por tragédias. Mas não é. Tudo isso aconteceu na história real de um homem justo, íntegro e fiel aos princípios divinos: Jó. A Bíblia relata que essas qualidades não eram vistas apenas pelos humanos, mas, também por Deus (Jó 1:8).

Certamente ele não era um homem perfeito porque não existem seres humanos perfeitos, porém o relato bíblico nos mostra um homem acima da média e que enfrentou o sofrimento sem perder a fé. Ele questionou sua sorte, como qualquer um de nós faria, mas não deixou que sua dor atingisse suas convicções.

Tenho quatro filhos a quem amo profundamente e não consigo imaginar a minha vida sem eles. Por mais que tente, somente o pai ou a mãe que perdeu um filho é capaz de dimensionar essa dor. Acredito que, por ter a compreensão da intensidade do amor paterno, impressionou-me com as palavras de Jó no auge de seu sofrimento. “Ao ouvir isso, Jó levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça. Então prostrou-se com o rosto em terra, em adoração, e disse: ‘Saí nu do ventre de minha mãe, e nu partirei. O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor’” (Jó 1: 20-22).

Já não bastasse toda a aflição pela perda dos filhos e a pobreza repentina, Jó ainda teria que enfrentar uma doença que traria feridas por todo seu corpo, da sola dos pés ao alto da cabeça. Jó raspava-se com um caco de louça, ficou desfigurado e irreconhecível aos seus amigos, seu hálito era insuportável à sua esposa, seus irmãos tinham nojo dele. E ele sofreu e chorou (Jó 3:26; 16:16).

Como todo ser humano acometido por tragédias, Jó sentiu-se sozinho, desamparado, sem esperanças (Jó 6:11). A agonia tomava conta da mente e do corpo e nada do que ouvisse trazia-lhe qualquer alívio. O que fazer diante de sua triste realidade? Como agir se aquele sofrimento parecia não ter fim? A quem poderia recorrer? Jó não sabia quanto tempo aquele martírio duraria, nem mesmo se sobreviveria. A única certeza que permanecia firme era a de que Deus tinha o controle de todas as coisas. Jó é um exemplo de resistência e de fé. Resistiu ao mal físico, às perturbações mentais e às palavras desencorajadoras. Resistiu e confiou (Jó 19:25).

O sofrimento é um sentimento extremamente particular porque a dor é sentida apenas por aquele que sofre. Usando como exemplo minha própria vida, tenho certeza que as pessoas se compadeceram de mim quando, por um acidente, precisei ficar seis meses em uma cama hospitalar sem mexer as pernas, com o risco de jamais voltar a andar. Sei que muitos oraram por mim quando, após um erro médico em uma cirurgia, estive entre a vida e a morte. No entanto, ninguém sentiu exatamente o que eu senti, chorou as minhas lágrimas. Só eu sei o que passei.

Assim como somente um morador de rua sabe a agonia de não ter um teto sobre a sua cabeça nas noites de frio e chuva. Somente um dependente químico conhece o tormento de não ter controle sobre si mesmo. Apenas uma mãe ou um pai que vê o filho trilhando o caminho da morte por meio das drogas ou do crime é capaz de descrever a intensidade desse pesar. Não é possível compartilhar a dor alheia. Pode-se, entretanto, demonstrar compaixão pelo próximo, ouvi-lo sem julgamento, auxiliá-lo dentro das possibilidades.

Jó sentia-se abandonado e solitário em meio à sua desventura. Os amigos que gastaram algum tempo com ele criticaram sua postura; sua esposa o instigou a amaldiçoar a Deus e morrer; seus irmãos sequer se aproximaram dele. Essas atitudes deixaram seus dias mais longos e insuportáveis. Demonstrações simples de atenção e afeto tornam o fardo um pouco mais leve e, muitas vezes, é tudo que se pode fazer. Em outras situações, colocar-se à disposição para ajudar, apresentar alternativas e incentivar podem ser o estopim para uma alteração do quadro. Seja qual for o caso, sensibilidade e amor são as palavras-chave.

A FÉ QUE NOS MOVE E NOS MANTEM DE PÉ

Fazer um trabalho missionário é viver pela fé. Nesses quase quarenta anos à frente da Missão Vida posso dizer, por experiência própria, que apenas pela fé conseguimos realizar a missão que o Senhor nos delegou. Foi assim nos primeiros meses e anos, continua sendo ainda hoje e assim será no futuro. Não há dúvidas de que a certeza de que Deus proverá cada uma de nossas necessidades é o que nos move e nos mantém de pé.

Recentemente, recebi um e-mail emocionado e emocionante de nossos missionários que coordenam as atividades assistenciais nos centros educacionais em Madagascar, na África. O jovem casal Nathanael e Elodie decidiu viver e trabalhar para o Reino e somos gratos porque encontraram na Missão Vida uma resposta para suas orações e a recíproca é verdadeira. Eles são a resposta ao nosso clamor por servos fiéis dispostos a enfrentar todos os desafios e lutas para proporcionar um pouco de alívio aos nossos irmãos africanos.

Elodie é uma médica qualificada que recusou um alto salário em outro país em nome de seu chamado missionário, compartilhado com seu esposo. Juntos, eles têm sido uma bênção e são a confirmação de que somando esforços e sustentados no amor de Cristo podemos fazer o bem e levar o Evangelho cada vez mais longe.

Quero compartilhar o trecho do e-mail recebido: “Madagascar está realmente na pobreza e com seca em algumas partes do Sul, o que causa grande fome. É doloroso e sinceramente difícil de suportar. Jesus nos avisou que tudo iria acontecer nos dias de hoje. Tudo isso é resultado dos pecados e do domínio da natureza humana egoísta. Ao enfrentarmos situações como estas, queremos que Jesus volte imediatamente e que nossos olhos não vejam mais tanto sofrimento. Entretanto, lendo Mateus 24:14 descobrimos que o fim não virá até que todas as nações ouçam as boas novas do reino de Deus. Com isso, renovamos nosso compromisso de ir e pregar o Evangelho de Jesus que salvou e que oferece paz em abundância. Temos um Deus vivo e fiel. Portanto, saiba que cada ajuda vinda até nós é um milagre. Ficamos sempre felizes e surpresos que vocês possam dar todo este suporte a nós aqui na África. A palavra “obrigado” não é suficiente para agradecer. Oramos por mais graça e muitas bênçãos de todos os tipos neste trabalho de Missão Vida”.

A confiança e fé desse casal no poder restaurador e misericordioso do nosso Deus, assim como dos demais missionários da Missão Vida, são um exemplo que, como cristãos e seres humanos, precisamos seguir. É o amor de Deus colocado em prática e transformado em ações solidárias direcionadas àqueles que sofrem. É amar ao próximo, seja ele um morador de rua brasileiro ou uma criança faminta africana, com demonstrações reais desse sentimento.

Eu nunca me canso de dizer que Deus não tem outras mãos senão as nossas, não tem outros pés senão os nossos para ir e amparar os necessitados. E podemos fazê-lo como missionários e também como mantenedores e intercessores. Nossa ação é fundamental para que cada vez mais pessoas conheçam e experimentem o amor e a maravilhosa graça do nosso Senhor. Ore pelos missionários em todos os lugares do mundo, contribua dentro das suas possibilidades e faça a diferença tanto na terra quanto nos céus.

O DEUS DOS NESCESSITADOS

Vivemos em um mundo caótico e cheio de dicotomias. Enquanto 1% da população adulta mundial detém quase a metade da riqueza do planeta (43,4%), mais de 115 milhões de pessoas vivem em situação de pobreza extrema. De acordo com a Organização Pan-americana de Saúde, mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofrem com depressão que tem sido a principal causa de incapacidade. A pandemia da Covid-19 já matou mais de 3,3 milhões de pessoas e ainda está longe de ser controlada. Segundo a Organização das Nações Unidas, existem mais de 65,6 milhões de refugiados no mundo (pessoas que foram forçadas a saírem de seus países por guerras, opiniões políticas ou religiosas ou motivos econômicos).

Enfim, por todos os lados se vê tristeza, Por mais difícil que possa ser conviver e compreender esse caos, nossa esperança reside naquele que tudo vê, tudo ouve e tudo sabe. Deus não tem prazer algum no sofrimento humano. Pelo contrário. Ele, em Sua infinita bondade, permanece sendo nosso consolo, nosso sustentador e nosso ajudador.

 

É preciso compreender que as tragédias humanas não decorrem da vontade soberana do Criador, mas como consequência das escolhas e condutas individuais e coletivas. Deus, como Pai amoroso, preferiria que vivêssemos em plenitude, felizes e em comunhão. Por outro lado, o homem, em sua liberdade de escolha, trilhou um caminho diferente daquele que nos havia sido reservado. E, apesar de nós mesmos, Ele foi, é e continuará sendo o Deus dos necessitados.

Em meio à turbulência, o Senhor sustém os aflitos na palma de Suas mãos. “Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim” (Is 49:16). Ciente da fraqueza, Ele não nos abandona ou fecha os olhos para a nossa dor. Diante do nosso sofrimento, Ele nos coloca em braços como consolador. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação…” (2 Co 1:3). Deus é muito maior que nossos problemas, nossas decepções, nossas enfermidades. E, por mais que, durante a angústia e aflição, Ele cuida e nos orienta a colocar sobre Si o nosso jugo e a nossa peleja. “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” (Sl 22:24).

Deus não nos prometeu uma vida sem sofrimento, no entanto Ele prometeu estar ao nosso lado em toda e qualquer situação e as aflições de hoje são ínfimas diante do que nos espera no futuro com Cristo Jesus. Seja qual for a dor enfrentada hoje, precisamos ter em mente que Deus é conosco. A fé nos fortalecerá, pois sabemos que a nossa vida está em Suas mãos e Ele estará ao nosso lado em todos os momentos, segundo a Sua vontade para cada um de nós. “Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10:28).

Quando tudo parecer perdido, impossível de ser revertido, insuportável e angustiante, lembre-se que Deus é por nós. Feche seus olhos, faça uma prece e confie, pois “ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão” (Sl 37.24)

O REDEMUINHO DE DEUS

Um dos livros mais fascinantes da Bíblia é o livro de Jó. Ele trata de uma questão central da humanidade: o problema da dor, da impotência e do sofrimento. O tema central é, na verdade, a grande dificuldade que encontramos para ter fé em tempos de angústia e de profunda dor.

Onde está Deus quando sofremos? Por que Deus parece distante e não nos responde? Muitas pessoas se perdem quando enfrentam questões relacionadas ao mistério da morte e da dor, quando Deus não parece fazer sentido.

Depois de alguns diálogos fascinantes entre Jó e Deus e entre Jó e seus amigos, Deus finalmente se manifesta. “O Senhor respondeu a Jó no meio de um redemoinho” (Jó 38.1). Outras versões afirmam que Deus lhe respondeu no meio da tormenta e da tempestade.

O problema de Jó é que não havia razão lógica para seu sofrimento, nem uma equação que pudesse justificar sua dor. Quando uma pessoa sofre por causa de algo errado que cometeu, podemos entender. Todos nós tivemos a experiência de desobedecer nossos pais e receber alguma punição. Assim, quando a disciplina está vinculada a algum erro, há um sentimento de justiça: fomos punidos porque erramos. Agora, quando o sofrimento é desprovido de coerência não parece injusto e sem sentido?

Jó enfrenta sua dor sem conseguir entender o que está acontecendo. Quando lemos sua história, sabemos de todo o pano de fundo, do que está acontecendo nos bastidores. Entretanto, Jó é coadjuvante. A dor vem sobre ele de forma brutal, sem piedade e coerência e ele precisa conciliar a dor absurda com a realidade de um Deus bondoso e poderoso. Então, por que Deus permitiu que ele sofresse? Esta é a pergunta que ele faz.

As questões levantadas por Jó não são respondidas como ele deseja. Deus se revela, finalmente, no meio da tempestade. Em meio à dor, Deus mostra coisas extraordinárias que vão das questões mais simples da vida – como a existência dos animais – até a grandiosidade das galáxias. Apesar de não responder as perguntas filosóficas existenciais, Deus penetra na dor de Jó e o visita no meio do redemoinho, demonstrando que o importante não é o porquê da dor, mas Quem caminha no meio da dor com ele.

As respostas são insuficientes e não consolam, por isso também são ineficazes, mas encontrar-se com Deus no meio do vendaval é a experiência mais poderosa que o ser humano pode ter. Adentrar o grande mistério do mal, da dor e da morte com a certeza de que, ainda que nem tudo esteja claro e equacionado, há uma presença que consola.

Não é esta verdade que lemos no Salmo 23? “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado me consolam.

CELEBRANDO A UNIADE

Não consigo me lembrar a primeira vez que ouvi a expressão “a união faz a força”. Mesmo que a princípio pareça uma mera frase motivacional ao trabalho em equipe, não há como negar a importância e relevância de seu conteúdo em qualquer aspecto da vida humana. É como a analogia, também exaustivamente utilizada, do feixe de bambu: a vara é frágil, mas o feixe resiste e não pode ser facilmente quebrado. Sozinhos, estamos vulneráveis; unidos, conseguimos resistir à adversidade.

A Missão Vida é um exemplo prático de que muito se pode fazer mediante a união de esforços em prol de um objetivo comum. Sozinho, talvez, eu tivesse conseguido ajudar algumas centenas de homens nesses 38 anos de trabalho com moradores de rua; junto à equipe de missionários e obreiros e aos mantenedores e parceiros, conseguimos atender, simultaneamente, cerca de 1.000 acolhidos no programa de recuperação e mais de 500 crianças em situação de vulnerabilidade. No âmbito da igreja, a unidade também precisa voltar a ser o foco de pastores e líderes. Somos dezenas e dezenas de denominações diferentes, no entanto, não podemos nos esquecer que a Cruz é a grande patrocinadora da unidade e é fundamental colocarmos o foco naquilo, ou melhor, nAquele que nos une. A cruz nos faz comunidade e família em Cristo Jesus – “Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2:19); e nos faz um com os diferentes –“Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós, foi dado beber de um só Espírito” (1Co 12:13).

O apóstolo Paulo, em sua Carta aos Efésios, ressalta que a percepção da unidade é resultado do discernimento da grandeza do amor de Deus. A partir daí, é possível compreender que a unidade do Espírito vem de nossas origens comuns: um só corpo (o corpo de Cristo); um só espírito (Espírito Santo); uma só fé (na Palavra); uma só esperança (Vida Eterna); uma só vocação (amar no amor de Cristo); um só batismo (selo da salvação); um só Pai (Deus-Pai). “Procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós” (Ef 4:3-6).

Por outro lado, a unidade da fé decorre do equilíbrio entre dons e ministérios. “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Ef 4:11-14).

Quando, como cristãos, conseguirmos compreender a dimensão da palavra unidade e a importância de cada um de nós para o Reino de Deus, certamente seremos aprovados diante do Senhor, permitindo que verdade e amor se encontrem e colocando um ponto final no hibridismo religioso. Existe uma só cabeça, que é Cristo; o restante é corpo, respeitadas as peculiaridades e funcionalidades individuais. “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Ef 4:15,16).