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O grande segredo

26 de maio de 2011 | 15h29

Rev. Wildo Gomes

Ser feliz. Como seres humanos, é esse o nosso grande objetivo desde a mais tenra infância até o último dia de nossas vidas. Em todas as áreas de nossas vidas, buscamos a felicidade, a realização pessoal. E no casamento não é diferente. Com base em todos os aconselhamentos que já realizei com noivos e casais, acredito, sinceramente, que todas as pessoas casam-se para serem felizes. No entanto, o ideal seria que homens e mulheres se unissem com o desejo e objetivo principal de fazer seu marido ou esposa feliz. A felicidade do outro deveria ser colocada acima dos próprios interesses, como orienta o versículo 5 de I Coríntios 13 “não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal”.

Poucas coisas na vida podem fazer uma pessoa tão infeliz quanto um casamento mal-sucedido. O número de divórcios é impressionante. Segundo dados do IBGE, em 2005, foram realizados no Brasil 150.714 divórcios e 100.448 separações judiciais. São famílias que foram desestruturadas e cujas vidas terão para sempre a cicatriz de um relacionamento frustrado. Os dados e experiências estão à disposição de todos, mas o pensamento equivocado de que essas coisas só acontecem com os outros leva os cônjuges a não darem atenção aos mais diversos sintomas de desgaste.

Ter um relacionamento perfeito está muito distante da realidade humana e, mesmo com o máximo esforço de marido e mulher, a probabilidade de alcance da perfeição é quase nula. Somos seres imperfeitos por natureza, educados de maneiras diferentes e carregamos frustrações, traumas, decepções e não há como negar que toda essa bagagem interfere diretamente em nossas relações.

 

Comparações

Durante um ano e meio morei nos Estados Unidos, época em que estive mais próximo da minha esposa e filhos e em que tive a oportunidade de tirar grandes e importantes lições para a minha vida pessoal e conjugal. Durante esta fase, a questão das comparações marcou muito a minha vida.

Os cidadãos americanos têm um cuidado excessivo com o gramado e o jardim de suas casas. Boa parte do tempo livre é gasto com o cuidado com as plantas, árvores, gramado e flores. A casa onde Rosane e eu morávamos com nossos filhos também possuía um jardim. Como eu sabia que permaneceria ali por um tempo determinado, eu não dava muita atenção ao gramado. A cada quinze dias, eu cortava a grama. Nunca utilizei qualquer tipo de adubo ou defensivo especial. Com o jardim da minha casa, eu fazia, apenas, o estritamente necessário. O extraordinário, jamais. Entretanto, quase sempre, nos momentos em que eu estava cortando a grama do meu jardim, meus vizinhos me perguntavam qual o segredo para que o meu gramado estivesse tão bonito. Não havia segredo, havia, sim, a comparação. A grama do vizinho é sempre mais verde, mais vistosa, mais bonita.

Na vida acontece a mesma coisa. Temos sempre a impressão de que os outros são mais felizes, mais amados, têm um casamento melhor que nós. A grama do vizinho é sempre mais verde. Entretanto, se olharmos com atenção, veremos que, como acontece conosco, na vida da outra pessoa também existem imperfeições, defeitos e problemas. A comparação não traz nenhum benefício. Sempre haverá alguém que julgamos mais abençoado que nós e, também, pessoas mais infelizes, com problemas ainda maiores que os nossos. Portanto, precisamos aprender a construir nossa própria história e não viver ou desejar a história alheia.

Em dezenove anos de casamento, já aprendi muito e uma das maiores lições é que as comparações nunca são úteis ou benéficas. Em nossa caminhada como casal, precisamos aprender a construir uma vida a dois, com planos, projetos, sonhos em comum. Precisamos ser, realmente, uma só carne. Para tanto, é imprescindível que fixemos nossos olhos em Cristo, porque só assim nossos relacionamentos e vidas serão bem-sucedidos. Seguir os mandamentos de Jesus é a mais importante tarefa que devemos executar diariamente. Entre estes mandamentos podemos citar o aprendizado constante. “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”, disse Jesus em Mateus 11:29. Ao invés de buscar inspiração na vida de outras pessoas, devemos aprender com Jesus, imitar Suas atitudes diante das crises e impasses em nossas vidas. Só assim, a felicidade estará mais próxima de nós, assim como o sucesso em nossos relacionamentos.

Para que a nossa vida dê certo, são necessárias algumas atitudes básicas:

 

1. Seja sincero

Os problemas de hoje devem ser resolvidos hoje, não amanhã. “Não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4:26). Muita gente passa a vida acreditando que o casamento vai bem e que seu marido ou esposa está feliz, enquanto tudo está à beira do caos. Posso citar como exemplo, a história verídica de um casal de amigos que se separou no dia de Natal. O marido, simplesmente, fez as malas para ir embora. Ele estava infeliz, mas nunca disse. A esposa acreditava que tudo estava bem e entrou em processo depressivo profundo com a descoberta e conseqüente separação.

Em um relacionamento conjugal, assim como em todas as áreas da vida, a sinceridade é fundamental. Viver de aparências é uma tática que nunca funciona. Não tente impressionar ninguém e seja franco com a pessoa que está ao seu lado.

 

2. Aprenda com as fases

Ao ler um livro, sempre nos deparamos com páginas muito interessantes, outras mais normais e, em alguns casos, algumas muito ruins e desinteressantes. Em um relacionamento também é assim e é preciso passar as páginas. A vida do casal terá altos e baixos, mas é preciso saber aproveitar tudo o que houver de bom, aprender com os erros e problemas e fortalecer a união. A vida é feita de fases e, boas ou ruins, sempre haverá alguma lição para ser tirada.

 

3. Confie em Deus

A família é uma idéia que nasceu no coração de Deus. “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea” (Gn 2:18). Deus é o grande idealizador do casamento e tem todo o interesse em sustentar, cuidar e abençoar a união. Apresente seus conflitos, problemas e sua família ao Senhor, com a certeza de que Ele orientará suas vidas.

 

4. Ore e obedeça

Nunca deixe de conversar com Jesus e ter intimidade com Ele. Convide-O para fazer parte do seu dia-a-dia, do seu relacionamento, da sua casa. Quando observamos a passagem bíblica sobre as Bodas de Caná, vemos que o que fez toda a diferença naquela festa foi a presença de Jesus e de Seus discípulos. O casamento poderia ter sido motivo de vergonha para os noivos e suas famílias, mas Jesus estava lá e a história transformou-se. Precisamos ter em mente que milagres acontecem quando Jesus está presente. Muitas coisas me fascinam nesta história e uma delas é o que Maria disse e que deve ser aplicado em nossas vidas: “Fazei tudo quanto Ele vos disser” (Jo 2:5).

Quando os princípios de Jesus são aplicados em nossas vidas, as coisas acontecem e dão certo. Por isso, para viver um casamento feliz e ter uma família abençoada, tire seus olhos dos outros e concentre-se em Cristo. Esse é o grande segredo da felicidade a dois: “… fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hb 12:2).

 

 

1 Comentário

  • tarcilia oliveira ortiz
    06 setembro 2011 | 20h16

    Achei maravilhoso. Nós quando queremos fazer felizes nossos filhos, não pensamos na troca. Simplesmente fazemos a eles , sem nada esperar. E creio que da mesma forma devemos fazer com o nosso marido o nosso Amor! Acredito ainda nesse amor maior! Nessa União, pois o amor é tudo que buscamos na vida!

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