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Fique por dentro

Beijar muuuuiiitooo

26 de maio de 2011 | 16h07

Rev. Sabino Cordeiro

“Beije-me mais uma vez;

porque o seu amor é mais doce que o vinho”

(Ct 1:2 – NV)

 

“…Mel e leite se acham debaixo de tua língua…”

(Ct 4:11)

 

“O beijo é uma forma de diálogo”

(George Sand)

 

Em 1992, eu tinha cinco anos de casado, dois filhos e um bom relacionamento com a minha esposa. Sempre fui muito de analisar, por isso me tornei terapeuta. No verão desse ano, como sempre acontece, fomos à praia de férias, nossos filhos, na época, tinham quatro e dois anos e levamos uma jovem para cuidar das crianças. Em uma manhã, no despertar do sol, olhando para o céu, navegando na internet da minha mente e pesquisando no google1 da minha consciência, descobri que já fazia algum tempo que eu não beijava a minha linda esposa como eu a beijava nos tempos de namoro. Eu estava vivendo aquele período que todo casal vive, de dar apenas aquelas bitocas rápidas e sem o conteúdo dos tempos do namoro que era o beijo cinematográfico, ardente, apaixonado. O sol cada vez ia ganhando espaço na terra e como um claro dia de sol, focou mais claro do que nunca que, com relação ao beijo, tudo estava escuro na minha relação conjugal. Naquela manhã quente de verão, resolvi arquitetar um plano para esquentar, afoguear meu relacionamento com a minha amada. Passaram-se quatorze anos e a cada dia eu estou convencido de que foi um dos maiores investimentos na minha relação e uma grande bênção para minha vida conjugal. Não me lembro quanto tempo passei bolando e tramando aquele plano sensacional. Tenho certeza que nem vi o tempo passar, mas, sem pressa e com todo o tempo que as férias nos permitiu vivenciar, de maneira bem “sinistra”, como um adolescente sonhador, preparei bem o dia “D”, ou melhor, o dia “B”.

 

Naquele dia, mais do que nunca, fui um bom pai e bom marido, brinquei com as crianças, gastei acima da média do orçamento com essas bugigangas que os sacoleiros de praia vendem para as crianças: picolé, pipa, soverte, boné, cocada, tatuagem descartável… e, para a minha esposa, tudo o que a sua, provavelmente, pediria na praia. Nesse dia, até o Bill Gates perdia para mim, me sentia rico e com um projeto revolucionário capaz de colocar de cabeça para baixo o mercado de informática, ou melhor, o conjugal. Almoçamos mais cedo e o menu foi uma refeição leve, lógico. Eu, como planejado, sempre simpático e comprando tudo que minha família queria. Chegamos no apartamento, tomamos banho e os meninos com o gás todo, querendo brincar com as novidades adquiridas com o suor do meu honesto trabalho. Chamei a babá com uma educação acima do normal e disse: “por favor, leve as crianças para brincar no parquinho. Vou dar uma descansada, e você não volte (AUMENTEI o tom da voz) até eu acordar. Quando eu acordar, desço e busco as crianças” e assim aconteceu.

Quando as crianças saíram, eu fui até a porta e a fechei, tirei a chave, olhei diretamente nos olhos da Leila e disse: “está vendo essa chave?”. Ela respondeu: “estou”. Então eu disse: “hoje eu não saio daqui enquanto não colocar em dia um assunto pendente, e os seus filhos (frisei, de maneira suave mas firme) não vão voltar, até que eu vá buscá-los, e eu só vou buscá-los depois de acertamos o assunto”. Fiz uma cara de Dom Juan e ela, sempre muito tímida, disse: “que assunto? O que você está pensando? O que você quer?” Eu pensei com os meus botões. Por enquanto não é isso que você está imaginando, (e fiz aquela cara novamente, agora mais atrevida). Ela sentiu-se acuada e disse: “Bininho, (apelido carinhoso, que só ela tem autorização para chamar) eu quero os meus filhos”. Eu respondi friamente e ternamente: “só depois que resolvermos a questão pendente e eu preciso muito de sua cooperação”. Então, com uma agilidade magistral, enfiei a mão no bolso e tirei um chiclete de menta. Entreguei para ela e, de maneira doce porém firme, disse: “prove!”. Peguei outro e coloquei na boca, e mastigando, afirmei com veemência: “quando namorávamos, tínhamos o beijo mais gostoso do mundo (afinal, fui eu quem a tinha ensinado a beijar) e depois que casamos esse beijo morreu e eu o quero de volta, pois nós só vamos sair daqui depois que isso acontecer exatamente como era” – e, com uma psicologia baixa e chula, mas infalível, apelei para o seu lado materno dizendo pausadamente: “pense em seus filhos e coopere”. Foi uma tarde inesquecível para mim. Quando a conversa começou, era por volta de 13h30 e eu beijei essa mulher muuuuiiiittttoooooo até por volta das 17h. A coisa estava tão enferrujada que na primeira tentativa só encontrei ar. Então, com doçura, exclamei: “não, amor, não é assim, fica calma”. O desencontro por falta de prática era notório, mas eu estava decidido. Decidi de maneira decisiva que aquela decisão decidiria o futuro do meu relacionamento. Sabe o que eu diria pra você agora “experimenta!, experimenta!”.

Quero afirmar que nunca mais o meu casamento foi o mesmo. Viajo esse país para ministrar em encontro de casais e sempre damos boas gargalhadas quando conto esta historia. Poderia estar rico se colocasse uma banca de chicletes de menta logo após a palestra.

Quando recebi o convite para escrever algo para esse projeto, imediatamente pensei: “vou falar sobre o beijo”. O beijo é fundamental em um relacionamento a dois e vou explicar por que, mas, de antemão afirmo: “se você, meu irmão, não colocar em prática, você não tá com nada”.

Algumas verdades vêm à minha a mente quando penso nesse assunto:

Beijar mantém e ressuscita o romantismo no casamento

“O beijo é a menor distância entre dois apaixonados” (Amy Banglin). Você, meu amado irmão, conhece expressão de carinho mais romântica do que o beijo? Quase todo casamento só se tornou casamento por causa do beijo (apologia forçada). O que estou afirmando é que o beijo sempre foi e será uma expressão apaixonada de quem ama e a grande questão como conselheiro conjugal é: por que quando você pode usar essa arma poderosa na relação conjugal isso não acontece? Na verdade, a falta do beijo é um sintoma muito forte de que o romantismo está indo para a estrada perigosa do comodismo, da mornidão, da falta de criatividade e, acima de tudo, da falta de intimidade íntima, intimamente falando, se é que você me entende.

Provérbios 7:13, diz: “aproximou-se dele e o beijou”. O contexto se refere à mulher adúltera. O artifício é falido para os casados e, em especial, para as mulheres. Essa mulher do texto parte para cima e o beija, ela vai à luta, não fica inerte. A intenção é maligna, mas, com certeza, serve para a mulher casada que, na maioria das vezes, fica na retaguarda, só esperando. Minha irmã, em nome de Jesus, parta para cima desse homem que Deus te deu, mande ver e o beije muuiittooooooooo.

O romantismo do livro de Cantares tem muito a nos ensinar. Ele é um compêndio que precisa ser estudado, entendido e praticado. Suas expressões são fortes e apaixonantes. Na verdade, ele é um manual de como se relacionar a dois e, logo no começo do livro, a importância do beijo é declarada: “Beija-me com o beijo de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho” (Pv 1:2). O beijo, aqui, é uma expressão profunda do amor. Eu já li muito coisa sobre família e relação conjugal e até hoje não li nada sobre a importância do beijo na relação entre casados. Eu sei que a maioria dos casamentos que entraram em colisão, um dos primeiros sintomas é a falta de beijo. Alguém já disse, com muita propriedade, que “beijo não mata a fome mas abre o apetite”. Eu diria que beijo não é tudo, mas sempre foi e será o começo de uma caminhada a dois e se os dois já estão no caminho, o beijo torna essa caminhada mais gostosa. E não se esqueça que beijar ajuda a queimar calorias.

 

Beijar mantém e ressuscita a higiene no casamento

O beijo tem um sabor maravilhoso, mas não precisa ser um bom terapeuta para saber porque, na maioria das vezes, o casamento acaba com esse sabor. A falta de higiene bucal é a causa principal, pois o sujeito come cebola, alho e piqui (você acredita nisso) e depois vem com aquela historia de “amor, eu te amo” com um bafo de onça, querendo beijar. Vá escovar os dentes e chupar chiclete de menta, meu irmão. No namoro, era aquele trato no bocão, um cuidado especial. Depois que casa, fica descuidado, acomodado e vai perdendo a alegria de beijar e ser beijado.

Se você for na minha casa, sempre vai encontrar no meu quarto um chiclete de menta ou Halls, afinal esta foi uma decisão que eu tomei (lembra?) e eu levo isso a sério, porque o meu namoro com a minha esposa não acabou e só a morte pode enterrá-lo. Vou beijá-la até de dentadura, e mais, na hora do beijo, vou tirar a dentadura do copo d’água e dar um sorriso para minha velha e beijar muuiittoo. Isso daqui a uns cinqüenta anos.

 

Beijar mantém e ressuscita a o fogo da paixão no casamento

Não dá para imaginar uma intimidade conjugal sem estar regada de muitos beijos, a menos que a relação conjugal seja carregada de egoísmo, onde o macho só está preocupado com o seu prazer e, com certeza, a marca desses momentos é a “rapidinha” e, depois, a “viradinha” para o lado para dar uma “dormidinha” e, no outro dia, uma “acordadinha”. E a vida segue com esses diminutivos, que roubam a beleza e a grandeza grandiosa e o prazer prazeroso de uma entrega regada de preliminares apaixonadas, onde o maior desejo de um é realizar os desejos do outro e, eu afirmo, que sem beijo isso se torna uma missão quase impossível. Não vejo possibilidade possível do fogo da paixão e a suavidade do amor entre marido e mulher caminhar nessa estrada cheia de desafios e obstáculos sem o combustível que só o beijo produz.

Muitos vivem sem jamais conhecer a grandeza que o livro de Cantares nos descortina, alguns evitam ler o livro, outros sonham em vivenciar a poesia descrita por Salomão. A verdade, amados, é que temos de perder o medo de falar abertamente sobre o que a Bíblia nos revela na área da intimidade conjugal. A palavra de Deus é esclarecedora sobre qualquer assunto e Deus é o autor do prazer.

O meu desejo é que, depois de ler esse artigo, você venha beijar o seu cônjuge muuiittoo. Beijos.

 

Rev. Sabino Cordeiro Dourado é casado há 19 anos com Leila, tem dois filhos Jonathas (18) e Sabino Junior (15). Pastor há 14 anos da Primeira Igreja Presbiteriana de Taguatinga (DF), é formado em Teologia com licenciatura plena em Educação Religiosa e Psicanálise e tem um ministério de família chamado“Mais de Deus” (www.maisdedeus.com)


1 Comentário

  • SHIRLEY
    17 julho 2011 | 23h18

    FICO MARAVILHADA COM O ZELO DE DEUS PARA CONOSCO,POIS ESTA SEMANA ESTAVA ORANDO E PERGUNTADO A ELE O MOTIVO DE NA MAIORIA DOS CASAMENTOS NÃO HAVER MAIS AQUELES BEIJOS APAIXONADOS DO TEMPO DE NAMORO,QUE SE O BEIJO É TÃO IMPORTANTE PARA AS MULHERES,POR QUE OS HOMENS NÃO ENTENDEM ISSO E INSISTEM EM DIZER QUE O BEIJO NÃO É IMPORTANTE,SENHOR PRECISO DE UMA RESPOSTA.
    HOJE PRECISEI PROCURAR UMA CLÍNICA DE RECUPERAÇÃO PARA DEPENDENTES QUÍMICOS E ASSIM QUE ABRI A PÁGINA ENCONTREI ESTA MENSAGEM.
    CREIO QUE É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA MENSAGENS COMO ESTA,POIS ESTAMOS VIVENDO UMA ÉPOCA EM QUE O CASAMENTO NÃO TEM MAIS VALOR E QUE O DIVÓRCIO PARECE SER A MELHOR SOLUÇAO,MAS QUANDO ENCONTRO PESSOAS COMO VOCÊ,ME SINTO INSPIRADA A CONTINUAR LUTANDO EM ORAÇÃO PELOS CASAMENTOS DO NOSSOS NOSSOS PARENTES E AMIGOS.
    QUE O SENHOR JESUS OS FORTALEÇA NESTA CAMINHADA.
    ABRAÇOS,
    SHIRLEY

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