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A dor da família

14 de abril de 2010 | 01h42

Pastor Wildo Gomes

“Ao vê-lo naquele estado, senti uma dor que jamais havia sentido antes. Aquele jovem bêbado, sujo, que mal conseguia ficar de pé era o meu filho. O meu filho…” Esse depoimento reproduz uma situação que há muito incomoda o meu coração. Muitas famílias têm vivido o drama de ver o vício tomar conta e, aos poucos, roubar a vida de algum de seus membros. Seja o álcool, as drogas ou o jogo, a verdade é que as famílias sofrem um grande abalo quando se vêem envolvidas com esta circunstância. Pais, filhos, irmãos, cônjuges, mesmo que nunca tenham colocado na boca uma gota de álcool ou experimentado um entorpecente, são atingidos e sofrem. Sofrem muito.

Passei algum tempo perguntando-me sobre o que seria mais difícil enfrentar: o sofrimento pessoal ou a dor de ver quem você ama sofrendo? Cheguei à conclusão que quando o sofrimento diz respeito a nós mesmos, somos capazes de adaptarmo-nos às nossas limitações, de sabermos até onde conseguiremos resistir. Quando o sofrimento atinge quem amamos, a dor é maior pois, muitas vezes, não sabemos o que fazer e, nem sempre, podemos ajudar.

Ver o filho, o marido, a mãe ou o irmão ser arrastado cada vez mais para o fundo do poço provoca uma dor incomparável. As atitudes do dependente modificam a vida de toda a família e, por maior que seja o amor, a convivência pode tornar-se insuportável. Durante vinte anos trabalhando com a recuperação de mendigos, que em sua maioria são dependentes químicos, inúmeras são as histórias marcantes. Um fato, no entanto, é praticamente comum a todas: a família é tão afetada quanto o próprio dependente.

“A partir do momento em que meu marido começou a beber, nossa vida se transformou em um inferno. Foram mais de vinte anos de muita tristeza e o amor que eu sentia por ele transformou-se em solidão e pena. Apesar de nunca ter ingerido um gole sequer, o álcool foi a desgraça da minha vida”, conta Leonora.

“A pior experiência da minha vida foi quando meu marido saiu de manhã para comprar uma chupeta para nosso bebê e, à noite, encontrei-o caído na calçada com a chupeta em uma mão e a garrafa de pinga, vazia, na outra. Quando ele chegou ao fundo do poço, sofri mais que ele”, relata Terezinha.

A dependência química não é uma doença contagiosa, mas é contagiante. Envolve toda a família, que acaba por anular-se e viver a história do dependente. Prova disso é que o Ministério da Saúde decidiu tratar o alcoolismo, especificamente, como um problema de saúde pública. O tratamento passou a ser extensivo às pessoas que convivem com o usuário de álcool, que também estão sofrendo e adoecendo.

“Quando descobri que meu filho usava drogas, meu mundo desabou. Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer com o meu filho e não entendo como aconteceu na minha frente e não percebi. O vício do meu filho acabou com a minha vida”, conta Wilma.

“Meu filho parece outra pessoa quando está bêbado. Fica agressivo, quebra tudo o que vê pela frente. Eu e minha esposa nunca sabemos como ele vai chegar em casa e, por isso, vivemos apreensivos. Nós estamos com depressão por causa dessa situação”, relata Marcelo.

A verdade é que nunca imaginamos que o vício pode chegar às nossas casas, muito menos aos nossos filhos. Mas o perigo existe e está muito próximo de nós. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, dez por cento das pessoas que bebem transformar-se-ão em alcoólatras no futuro e 74% dos adolescentes matriculados no ensino médio já fizeram uso do álcool. Isto é um alerta para que estejamos sempre atentos aos nossos filhos. Algumas atitudes simples e cotidianas podem ajudar-nos a conhecê-los melhor e, assim, tentarmos mantê-los afastados do vício:

1. Seja amigo dos seus filhos para que eles sintam-se encorajados a falar o que pensam e sentem, mesmo que seja muito difícil ouvir;

2. Abra espaço para o diálogo e dê liberdade para que as opiniões sejam expostas, mesmo que sejam diferentes das suas;

3. Fique atento às amizades e aos ambientes que ele freqüenta. É sempre bom saber quem são os amigos de seus filhos, recebê-los em sua casa e, se possível, conversar um pouco com o grupo, mas sem causar constrangimentos;

4. Fique atento a qualquer mudança de comportamento. Indisposição, perda de apetite, perda de peso, irritação, sonolência ou insônia, agressividade são atitudes que podem caracterizar dependência química;

5. Ore sempre pelos seus filhos, porque a oração pode todas as coisas. Entre as muitas qualidades de Jó estava a atitude de oferecer sacrifícios a Deus pela vida de seus filhos. “E, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; pois dizia Jó: Talvez meus filhos tenham pecado, e blasfemado de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente” (Jó 1:5).

Apesar de toda a dor e sofrimento que o vício provoca na vida de pessoas amadas, não devemos nem podemos desistir, pois há um Deus que tudo pode e tem poder para mudar toda e qualquer situação.

Em vinte anos de ministério, trabalhando com viciados, descobri que Deus desconhece a palavra impossível. Basta lembrarmo-nos e vivenciarmos o que o apóstolo Paulo escreveu em sua carta aos Romanos: “Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8:18).

Precisamos tirar o nosso foco da situação difícil que vivemos, do sofrimento, e voltar nossas atenções para o que nos espera. Por mais longo que seja o túnel, saiba que ele tem um fim. E o resultado final está diretamente relacionado com seu esforço, sua dependência de Deus, sua confiança n’Ele. “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares” (Js 1:9).

Uma das finalidades do sofrimento é imprimir o caráter de Deus em nós. Deus não é masoquista. Ele não tem prazer na nossa dor ou nas tragédias que assolam a nossa vida. Deus permite que passemos por dificuldades para que cumpra-se em nós a Sua vontade. E lembre-se que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28)

5 Comentários

  • marlene carrijo de almeida
    30 junho 2010 | 15h06

    se não houvesse esperança, eu não estaria lutando. E vou lutar sempre até meu filho abandonar o vicío. com a ajuda de DEUS, e de vocês eu tenho certeza.

  • marlene carrijo de almeida
    23 julho 2010 | 16h41

    meu filho está se recuperando,graças a DEUS estamos muito contentes…

  • marlene carrijo de almeida
    27 agosto 2010 | 14h54

    Meu filho está se curando graças a DEUS.Jesus te ama eu também.

  • vanusa
    28 agosto 2010 | 10h11

    por mais dificil que seja ,nao abandone um dependente quimico,ele depende de nos como depende da droga;so que ele nao sabe…….recaidas acontecem; mas o levantar e de DEUS;;;;;;;;;;MEU MARIDO ESTEVE NA MISAO E SE TRASFORMOU NA EPOCA,,,,,,,HOJE SE ENCONTRA ENTERNADO DE NOVO.MAS EM NOME DE JESUS ELE VAI SE CURAR ,,

  • DAISY
    09 setembro 2010 | 00h28

    ESTIVE C OUTROS VISITANDO A MISSAO VIDA, DE GOV. VALADARES-MG. ME EMOCIONEI, ESPERO EM DEUS, POR CRISTO, Q PERSEVEREM NA FÉ ATÉ O DIA PERFEITO, COM AMOR E CARIDADE…TENDO COMPAIXAO…DE TODOS…
    DEUS CONTINUE OS ABENCOANDO.

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